Atividades da Cidasc, órgão estadual de defesa agropecuária, implementam cuidados sanitários que beneficiam a saúde do consumidor

Um alimento seguro é aquele obtido com matérias primas de origem conhecida, livre de contaminações, produzido seguindo padrões de higiene e armazenado de forma adequada. O Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado em sete de junho, é uma boa ocasião para lembrar de uma das instituições que atua para preservar a saúde do consumidor e consolidar Santa Catarina como uma grande produtora e exportadora de alimentos: a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
Como órgão oficial de defesa agropecuária, a Cidasc realiza diversas atividades relacionadas à produção animal e vegetal e ao beneficiamento desses alimentos, contribuindo para que a população tenha acesso a alimentos seguros e de qualidade. São ações que o consumidor não vê, mas que são realizadas continuamente, envolvendo fiscalização e a orientação aos produtores e empresas, para que adotem boas práticas.
A cada ano, são registrados aproximadamente 660 milhões de casos de Doenças Transmitidas de forma Hídrica e Alimentar (DTHA) no mundo, causando sintomas que podem variar desde diarreia, vômito e desidratação até quadros mais graves, prejudicando o sistema nervoso e até mesmo o funcionamento do fígado e dos rins, podendo levar à morte. O coordenador do Controle de Denúncias e Manifestações (CECOD), vinculado ao Departamento Estadual de Inspeção (Deinp) da Cidasc, o médico-veterinário Jamil Correia da Silva Junior, alerta que em caso de sintomas, a pessoa deve procurar um médico e seguir o tratamento adequado.
“Recomendamos que a população adquira alimentos de procedência conhecida e, no caso dos produtos de origem animal, que tenham sido produzidos em estabelecimento registrado em serviço de inspeção sanitária (garantidos pelos selos SIM, SIE ou SIF)”, explica Jamil Correia da Silva Junior.
Quando o produto é submetido à fiscalização, há controles da condição de saúde e bem-estar dos animais, passando pelos processos de inspeção, controle de higiene e de qualidade, o que resulta na garantia de um alimento seguro. Nestes processos, são controladas doenças graves como brucelose e tuberculose, que poderiam ser transmitidas a quem consome um produto clandestino, vendido muitas vezes por baixo preço, mas sem nenhuma segurança para a saúde do consumidor.”

Em relação aos produtos vegetais, também há cuidados para que sejam seguros. Entre eles, podemos destacar o monitoramento de resíduos de agrotóxicos, um programa que a Cidasc desenvolve há mais de uma década. A cada ano, são coletadas e analisadas amostras de produtos de origem vegetal: são consideradas conformes aquelas que não tenham resíduos ou que tenham resíduos dentro do limite permitido pela legislação e apenas de produtos recomendados para aquele cultivo.
“O consumidor não tem como saber se o que ele está comprando tem agrotóxicos ou não, pois não é algo visual. Só é possível descobrir com análise laboratorial e é isso que a Cidasc faz. Chegamos ao índice de 90% das amostras em conformidade, atendendo aos limites de resíduos estabelecidos pela Anvisa/Ministério da Saúde”, diz o gestor da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas (Difia) da Cidasc, Geovani Pedro de Souza.
Em conjunto com o setor produtivo, os departamentos da Cidasc traçam a trajetória em direção à produção de alimentos seguros para o consumo humano. Para complementar os cuidados adotados no campo e nas agroindústrias, o consumidor deve ficar atento à embalagem dos produtos: checar prazo de validade, integridade da embalagem, selo de inspeção sanitária (para produtos de origem animal) e as condições de armazenagem no ponto de venda (em especial a temperatura daqueles alimentos que necessitam refrigeração).

Produtos de origem animal seguros ao consumo
No caso dos produtos de origem animal, os cuidados começam no campo, com o trabalho da Defesa Sanitária Animal da Cidasc. Existem programas sanitários para monitoramento e controle de diversas doenças dos animais de produção. Algumas delas prejudicam a saúde dos animais e sua produtividade; outras, podem afetar os humanos.
É o caso da brucelose e da tuberculose, que podem ser transmitidas se houver consumo do leite proveniente de animais contaminados. No caso da tuberculose, o consumo da carne de animal não saudável também representa risco.
Nesta etapa, é fundamental o trabalho da inspeção sanitária: tanto em laticínios quanto em frigoríficos há controle da origem da matéria prima e realização de exames para que o alimento seja feito com leite ou carne de animal sadio. Estabelecimentos que beneficiam ovos, mel e pescado também precisam estar registrados em serviço de inspeção sanitária e prestar contas sobre a origem da matéria prima.
O estabelecimento pode ser registrado em Serviço de Inspeção Municipal (SIM), Estadual (SIE, sob responsabilidade da Cidasc em Santa Catarina) ou Federal (SIF). Em qualquer destes casos, a agroindústria passa por fiscalização e tem que seguir normas de higiene, para evitar contaminações que possam prejudicar a saúde do consumidor.

Produtos de origem vegetal seguros ao consumo
O setor da Cidasc responsável pela sanidade vegetal é o Departamento Estadual de Defesa Vegetal (Dedev). Além de atuar junto ao produtor para combater pragas que prejudicam a produtividade de lavouras e pomares, o Dedev é o responsável pelo Programa de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos. No último ano, o índice de conformidade ficou em torno de 90%, um resultado que indica que os produtores vêm adotando boas práticas no uso dos insumos agrícolas e que o consumidor encontra produtos seguros para consumir.
Também está sob a supervisão deste departamento a Divisão de Classificação Vegetal, que classifica produtos como feijão, milho, amendoim e cebola. Um dos quesitos observados ao analisar os produtos vegetais é se há presença de fungos nos grãos, que podem ser nocivos para a saúde humana. Se o produto é reprovado nestas análises, não têm sua comercialização autorizada no estado.
Porque comemoramos esta data?
O sete de junho foi escolhido como Dia Mundial da Segurança dos Alimentos para conscientizar produtores, indústrias, governos e consumidores sobre o papel de cada elo da cadeia produtiva na prevenção de riscos que podem comprometer a qualidade dos alimentos. A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2018 e passou a ser celebrada mundialmente a partir de 2019, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segurança alimentar ou segurança dos alimentos?
Embora os termos sejam frequentemente confundidos, a segurança dos alimentos e a segurança alimentar possuem significados diferentes. A segurança alimentar está relacionada ao acesso regular e permanente da população a alimentos em quantidade e qualidade adequadas. Já a segurança dos alimentos refere-se à garantia de que os produtos consumidos não ofereçam riscos à saúde, estando livres de contaminantes biológicos, químicos ou físicos.
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