Seminário Regional trouxe especialistas de cinco estados brasileiros para trocar conhecimentos e experiências na prevenção, identificação, contenção e manejo do caruru-gigante
Para proteger a agricultura catarinense, a identificação precoce dos riscos é fundamental. Por isso, após a confirmação de um foco de caruru-gigante no Oeste de Santa Catarina, a Cidasc reuniu especialistas de cinco estados brasileiros para promover a troca de conhecimentos e experiências durante o Seminário Regional Amaranthus palmeri: prevenção, identificação, contenção e manejo. Realizado em 23 de junho, em Campo Erê, o evento teve o objetivo de ampliar conhecimentos e dialogar sobre como identificar, o que fazer e como prevenir e controlar a dispersão desta que é considerada uma das plantas daninhas mais agressivas na agricultura: o Amaranthus palmeri.

Participaram do evento produtores rurais, responsáveis técnicos, instituições públicas e privadas, cooperativas, sindicatos, empresas do setor agrícola, entidades profissionais, instituições de pesquisa e representantes do setor produtivo. As palestras e mesas-redondas foram conduzidas por engenheiros agrônomos da Cidasc, Epagri, Cooperativa Itaipu e órgãos de defesa agropecuária do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). “Essa junção entre a defesa sanitária vegetal, a pesquisa, a extensão rural, a participação da cadeia produtiva e o empenho dos responsáveis técnicos é a chave do sucesso para controlar não só o Amaranthus palmeri, mas outras pragas que possam entrar no estado. Se tivermos esse elo bem forte e consolidado, com certeza teremos cada vez mais sucesso na defesa sanitária vegetal em Santa Catarina”, avalia a Gestora Estadual de Divisão Sanitária Vegetal da Cidasc, a engenheira-agrônoma Fabiana Alexandre Branco.
“Destacamos a participação do público, com muitos técnicos, representantes das cooperativas, extensionistas rurais da Epagri e muitos produtores que vieram buscar conhecimento e entender melhor sobre o Amaranthus palmeri”, afirma o Coordenador de Sanidade de Grandes Culturas da Cidasc, o engenheiro-agrônomo Diogo Antônio Deoti. “Por meio de ações de Educação Sanitária como esta, a Cidasc consegue estreitar laços com os produtores, que são os maiores interessados no controle e na não disseminação desta praga”, completa.
“Esses agentes – produtores, representantes de cooperativas, profissionais de assistência técnica e extensão rural – têm papel fundamental principalmente no que diz respeito à notificação”, destaca o Coordenador de Controle de Pragas do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária, auditor-fiscal agropecuário federal Glauco Antônio Teixeira, que participou do Seminário. “A gente sabe que quanto mais precoce esta notificação é feita aos órgãos de defesa, mais rápidas podem ser tomadas medidas e maiores são as chances de contenção ou erradicação da praga”, reforça.

Identificar, manejar, controlar, prevenir
O Amaranthus palmeri é considerado uma das plantas daninhas mais agressivas da agricultura devido ao risco de disseminação, crescimento acelerado, elevada produção de sementes e resistência a herbicidas. Pode crescer até seis centímetros por dia e produzir entre 200 mil e 500 mil sementes, podendo ultrapassar 1 milhão em condições favoráveis. As sementes permanecem viáveis no solo por anos, o que dificulta o controle após a introdução da praga em uma área. “A prevenção a partir da identificação precoce é uma das principais ferramentas que temos para evitar a disseminação”, afirma Fabiana Branco. A identificação correta da espécie foi o tema de abertura das discussões, com o engenheiro-agrônomo Diogo Deoti.
De acordo com Deoti e também a partir da experiência de outros estados, um dos diferenciais do Amaranthus palmeri é o fato de ter plantas masculinas e femininas separadas – outras espécies de Amaranthus têm flores macho e fêmea na mesma planta. Esta característica favorece o cruzamento, a diversidade genética e a rápida adaptação a novos ambientes e resistências a herbicidas. A diferenciação de plantas masculinas e femininas é a partir da inflorescência (o conjunto de flores que nascem no topo da planta).

A elevada resistência do Amaranthus palmeri a herbicidas amplamente utilizados, como o glifosato, dificulta seu controle, especialmente em lavouras de soja e milho. No verão, a planta encontra condições favoráveis para se estabelecer rapidamente, competindo por água, luz e nutrientes e causando prejuízos econômicos expressivos. Devido a estas características, é classificada no país como praga quarentenária presente. O manejo e o controle do caruru-gigante foram abordados em duas palestras durante o Seminário, com o engenheiro-agrônomo Marcus Vinícius Fipke, pesquisador da Epagri, e com o coordenador técnico da Cooperativa Regional Itaipu, engenheiro-agrônomo Marcelo Salvatori.


Diálogo interestadual fortalece estratégias de defesa sanitária
No Brasil, a ocorrência do Amaranthus palmeri foi registrada pela primeira vez em 2015, no estado de Mato Grosso. Posteriormente, a planta foi identificada em Mato Grosso do Sul, em 2022; em São Paulo, em fevereiro de 2026; e em Santa Catarina, em março de 2026. A ocorrência do foco em Campo Erê, município próximo à divisa com o Paraná, acendeu o alerta no estado vizinho. Neste sentido, o Seminário Regional trouxe técnicos e especialistas dos órgãos de defesa destes estados para apresentar e discutir suas experiências na identificação, contenção e situação atual do caruru-gigante, além de avançar na construção de soluções integradas de fiscalização, controle e monitoramento da praga.

A engenheira-agrônoma Adriana Lazaroto, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), falou sobre as ações para Amaranthus palmeri e outras espécies de importância agrícola e fitossanitária integrantes do Programa Plantas Daninhas no Paraná.



Os engenheiros-agrônomos Alexandre Paloschi, do Departamento de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo; Márcio Regys, Gerente de Inspeção e Defesa Sanitária Vegetal da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO) do Mato Grosso do Sul; e João Batista da Silva Júnior, do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA) trouxeram relatos sobre a ocorrência de Amaranthus palmeri e as ações realizadas para o controle nestes estados.
Na sequência, os palestrantes integraram uma mesa-redonda com mediação do Coordenador de Controle de Pragas do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura e Pecuária, auditor-fiscal agropecuário federal Glauco Antônio Teixeira. O diálogo sobre acertos, desafios e estratégias adotadas em diferentes regiões do país foi a tônica da discussão, que contribuiu para a construção de soluções integradas e mais assertivas para o futuro. “Já existia um ambiente de conversa entre os estados afetados pelo Amaranthus palmeri e que se fortaleceu durante o Seminário. Isso permite a troca de experiências na formulação de resoluções, portarias, da legislação que será utilizada no controle no estado, além da regulamentação do trânsito de máquinas, como é operado em outros estados e o que podemos aproveitar”, afirma Diogo Deoti.
“Eventos desta natureza são muito bons para que os estados tenham condições de errar menos. Quando conseguimos integrar essas experiências numa discussão tão aprofundada como foi neste Seminário, as chances de sucesso são maiores”, avalia Glauco Teixeira.

A defesa sanitária vegetal é uma das bases da competitividade do agro catarinense. Ao prevenir a introdução e a disseminação de pragas, Santa Catarina protege suas lavouras, preserva a renda das famílias rurais, fortalece a sustentabilidade dos sistemas produtivos e mantém a força econômica de um dos setores mais importantes do estado.























