Muitos consumidores desconhecem o caminho que o seu bife, o leite do café da manhã ou a linguiça defumada percorrem até chegar à mesa. O que parece uma escolha inofensiva pode, na verdade, esconder perigos letais quando a procedência é ignorada.

Evidenciar a importância da inspeção sanitária de produtos de origem animal para a saúde humana é o principal objetivo do webinar que a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) promove nesta sexta-feira, 22 de maio, em seu canal do Youtube. A transmissão online, aberta ao público, será às 14h e terá como palestrante o médico-veterinário Jamil Correia da Silva Junior, coordenador do Controle de Denúncias do Departamento Estadual de Inspeção (Deinp) da Cidasc. 

Na palestra, o médico-veterinário destacará o trabalho do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), sob responsabilidade da Cidasc, na garantia da qualidade dos produtos de origem animal. A inspeção sanitária visa garantir a inocuidade desses alimentos, conferindo a origem da matéria prima e as condições de produção para que o produto esteja livre de contaminações que possam afetar a saúde humana. 

A gestora do Deinp, Alexandra Reali Olmos, reforça o compromisso que as empresas legalizadas demonstram com a saúde pública: “Ter uma agroindústria devidamente regularizada e registrada em serviço de inspeção, submetendo-se à fiscalização oficial de rotina e promovendo as melhorias conforme apontamentos, produzindo alimentos seguros, seguindo as normas higiênico-sanitárias e de processamento, é demonstrar responsabilidade pelo produto ofertado e respeito aos consumidores. Essa sim é uma receita de sucesso garantido!”

O webinar é parte da programação da  4ª edição do Mês da Sanidade Animal e Vegetal, celebrado anualmente em maio. A data foi estabelecida em lei estadual, criada em 2022, para destacar a importância dos cuidados sanitários na produção agropecuária. Até o dia 31 de maio, a Cidasc realizará diversas atividades para conscientizar a população e mostrar que o trabalho da defesa agropecuária, muitas vezes invisível para a maioria dos catarinenses, é essencial para que os alimentos sejam seguros para o consumo. A edição deste ano enfatiza a Saúde Única, conceito que embasa as ações da Cidasc e que expressa a visão de que a saúde dos animais, das plantas, do meio ambiente e das pessoas são indissociáveis. 

Porque a inspeção sanitária é importante?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças veiculadas por alimentos (DVAs) causam cerca de 600 milhões de casos de doenças e 420 mil mortes anualmente no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde registra milhares de surtos todos os anos, muitos deles subnotificados. 

“Alimentos contaminados por bactérias, vírus ou parasitas não causam apenas um ‘mal-estar passageiro’. Eles podem levar a complicações renais graves, paralisia e até morte. Muitas vezes, o consumidor é atraído ao produto não fiscalizado, sem rotulagem, devido ao baixo preço. No entanto, esse produto pode representar um risco à saúde. O abate clandestino e a produção irregular são os maiores vilões da saúde pública”, afirma a médica-veterinária Amanda Gouvêa Alcântara, coordenadora da área de Capacitações e Treinamentos do Departamento Estadual de Inspeção (Deinp) da Cidasc.

Os estabelecimentos que beneficiam produtos de origem animal (carnes, pescado, leite e derivados, mel e produtos de abelhas, ovos…) precisam ser registrados em um serviço de inspeção sanitária. Pode ser o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), o Serviço de Inspeção Estadual (SIE) ou o Federal (SIF), conforme a área geográfica que a empresa pretende atender: produtos com selo SIM podem ser comercializados na área do município de origem; com o selo SIE, em todo território estadual; com o selo SIF, para todo o país e até exterior.  

Os locais registrados em algum desses serviços de inspeção estão sujeitos à fiscalização. Na prática, isto significa que prestam contas sobre a origem da matéria prima, que deve ser obtida seguindo boas práticas agropecuárias, em especial os cuidados com a sanidade animal. Também há cobrança quanto às boas práticas de fabricação, tais como higienização do local, das mãos e dos uniformes dos manipuladores; controle da qualidade da água utilizada no processo e de pragas, como ratos e baratas; uso apenas de ingredientes e aditivos permitidos pela legislação, sem tentativas de mascarar as condições de conservação do produto. 

Ao adquirir um produto de origem animal inspecionado, o consumidor protege a própria saúde e exerce seu direito à segurança dos alimentos. É nesse contexto que o papel do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) de Santa Catarina ganha importância. Os médicos-veterinários oficiais da Cidasc atuam diretamente nas agroindústrias para garantir que as normas sanitárias sejam seguidas com rigor.

A inspeção sanitária em números

A Cidasc já entregou Selo ARTE para centenas de produtos artesanais, produzidos por 75 agroindústrias catarinenses. Foto: Denise De Rocchi/Ascom Cidasc

O Serviço de Inspeção Estadual (SIE) de Santa Catarina, sob responsabilidade da Cidasc, possui 463 estabelecimentos com registro ativo. Destes, 155 também aderiram ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi/POA), o que permite ampliar a comercialização para todo o Brasil. 

Os procedimentos que a Cidasc adota no SIE são reconhecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) como equivalentes aos adotados em âmbito federal. Por isso, os empreendimentos que já estão registrados no SIE podem solicitar a adesão ao Sisbi sem necessitar grandes adaptações. 

Diante das boas perspectivas para as empresas, a Cidasc tem estimulado a busca pelo Sisbi e, em relação às agroindústrias familiares, à certificação de produtos artesanais com o Selo ARTE. Ambos os selos trazem perspectiva de expansão dos negócios, por permitir a comercialização para todo o país de forma legalizada. 

A Cidasc já concedeu o Selo ARTE para 492 produtos, de 75 agroindústrias diferentes. São produtos como linguiças, méis e queijos, que carregam a tradição catarinense e familiar, combinada à boa qualidade da matéria prima e ao modo de preparo que respeitam as normas sanitárias.

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