
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária recebe em Florianópolis profissionais de órgãos de defesa agropecuária dos estados da região Sul, nos dias 12 a 14 de maio, para um simulado de gestão em emergências zoossanitárias para equipes de gestão. As atividades, realizadas nas dependências da Universidade da Polícia Rodoviária Federal, são a etapa preparatória para a realização da atividade prática, prevista para o final do segundo semestre e se inserem na programação do 4º Mês da Sanidade Animal e Vegetal, celebrado em maio.
‘É um esforço que fazemos com a Cidasc para estarmos sempre preparados pra proteger, agir rápido e reduzir o impacto de doenças e pragas no nosso agronegócio. Esse simulado é uma forte ação de treinamento. O Paraná e o Rio Grande do Sul são muito bem vindos, já que a região Sul tem cada vez mais se tornado referência nesse tema a partir do que fizemos aqui em Santa Catarina’, afirma o governador do estado, Jorginho Mello.
Os simulados de emergência zoossanitária servem para capacitar as equipes, mantendo os profissionais prontos para agir caso algum foco de doença de notificação obrigatória seja registrado. A resposta ágil nestas situações permite debelar o foco com eficiência, evitando os riscos para a atividade pecuária, a sanidade animal e até a saúde humana. Desta vez, a simulação entre as quatro equipes de gestão serão as DEA (doenças emergenciais animais), neste influenza aviária, peste suína africana e febre aftosa.

“O simulado visa nos preparar para mitigar riscos em uma situação real de risco sanitário. É como um seguro de sanidade animal e, como todo o seguro, fazemos pensando em não precisar usar, mas se precisarmos, estaremos preparados”, comparou a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos. Ela mencionou ainda o apoio do Sindicarne/SC, interessado em resguardar o setor de produção de proteína animal, responsável por movimentar mais de R$21 bilhões na economia catarinense no ano que passou.
O superintendente Federal da Agricultura em Santa Catarina, Ivanor Boing, participou da abertura do evento junto à presidente da Cidasc. Ele destacou a integração entre o ministério e os órgãos estaduais de defesa agropecuária como o caminho para melhor enfrentar os desafios do setor. “Nunca sabemos quando uma crise chegará e temos que estar prontos para gerenciá-la da melhor forma possível,” disse o superintendente.
Algumas doenças afetam apenas os animais de produção, como a peste suína africana (PSA), mas impactam a vida humana por afetarem a produção de alimentos. Outras têm ainda potencial zoonótico, ou seja, podem ser transmitidas a humanos, como a influenza aviária. Segundo o coordenador-geral de Planejamento em Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Geraldo Marcos de Moraes, as principais doenças emergenciais são a peste suína clássica (PSC), a peste suína (PSA), a influenza aviária e a febre aftosa, da qual o Brasil é livre sem vacinação.

Há um trabalho contínuo, envolvendo setor produtivo e diferentes esferas governamentais, para evitar a reintrodução destas doenças. “Uma emergência zoossanitária afetaria todo o ambiente econômico e social. No Brasil, a matriz agropecuária é fundamental para a economia e qualquer desequilíbrio, interrupção [do comércio internacional] teria efeitos para todo o país”, explicou Moraes.
Em relação a estas e outras enfermidades em animais de produção, a Cidasc atua com ações preventivas e de controle, aplicando na prática o conceito de Saúde Única (a saúde de animais, de vegetais, meio ambiente e das pessoas são indissociáveis). Mesmo com grande dedicação à educação sanitária (orientação ao produtor) e a atividades preventivas, o risco de ocorrência de uma doença de notificação obrigatória não é nulo. O simulado realizado em Florianópolis prepara as equipes gestoras de defesa sanitária animal para reagirem a um eventual foco de diversas enfermidades, pois boa parte do protocolo é comum a todas elas.
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