Enxurradas e temporais estão entre os riscos do fenômeno em SC (Foto: Baco de Imagem Pixabay)

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) alerta os produtores rurais para a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño a partir do segundo semestre de 2026. De acordo com nota técnica da Epagri/Ciram e da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, há alta probabilidade de o fenômeno se estabelecer entre julho e agosto, podendo se estender pela primavera e verão.

Esse cenário tende a provocar aumento significativo das chuvas no Estado, com maior risco de enxurradas, inundações, deslizamentos, além de tempestades com vendaval e granizo – condições que podem impactar diretamente a produção agropecuária.

Diante disso, a Cidasc reforça a importância do acompanhamento constante das previsões meteorológicas e da adoção de medidas preventivas nas propriedades rurais, especialmente para o planejamento das safras 2026/2027.

Nota técnica aponta cenário climático para SC 

A Epagri/Ciram e a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina emitiram nota climática que alerta sobre a possibilidade de início do fenômeno El Niño nos próximos meses, o que pode afetar o clima em Santa Catarina, aumentando o potencial de impactos relacionados a enxurradas, inundações e deslizamentos. Além disso, o fenômeno aumenta a probabilidade de tempestades severas no Estado, que são acompanhadas de vendaval e granizo.

A nota revela que a atualização mais recente do Climate Prediction Center (CPC/NOAA), divulgada em abril, indica 80% de probabilidade de o El Niño iniciar entre julho e agosto deste ano, com tendência de persistir ao longo da primavera e do verão.

O El Niño se configura pelo aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, o que vem acontecendo de forma rápida nos últimos meses. “Apesar do sinal evidente da atuação do fenômeno a partir do segundo semestre, ainda há incertezas quanto à sua intensidade e duração, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo de sua evolução”, afirma a nota.

Os meteorologistas da Epagri/Ciram e SDC relatam no documento que, de acordo com a NOAA, existe 25% de chance de o El Niño se configurar com intensidade muito forte. No entanto, independentemente de sua intensidade, o fenômeno tende a provocar um aumento significativo na precipitação no Sul do Brasil, condição que inspira muita atenção já que a primavera e o verão são estações normalmente chuvosas em Santa Catarina.

O que esperar para Santa Catarina

“O cenário demanda acompanhamento contínuo e preparação por parte dos órgão públicos e da população”, ressaltam os técnicos. Os episódios mais marcantes de El Niño que impactaram Santa Catarina ocorreram em 1982/83, 1997/98, 2015/16 e, mais recentemente, em 2023/24. Este último foi responsável por inundações em diversas regiões do Estado. Dentre as áreas mais impactadas, destaca-se o Vale do Itajaí, onde as inundações generalizadas afetaram milhares de pessoas e provocaram prejuízos socioeconômicos significativos.

Ressalta-se, contudo, que, embora o El Niño contribua para a intensificação das precipitações no Estado, ele não é, isoladamente, o único responsável pela ocorrência de eventos extremos. Tais eventos, em geral, resultam da atuação combinada de diferentes fenômenos de escala climática.

Ações estratégicas em andamento

Diante do cenário, a Proteção e Defesa Civil de SC e a Epagri/Ciram estão desenvolvendo um conjunto articulado de ações de prevenção, mitigação e preparação:

Monitoramento intensificado
A SDC, a Epagri/Ciram e diversas instituições se reúnem mensalmente através do Fórum Climático Catarinense, onde são acompanhadas as condições de evolução do El Niño. Os meteorologistas integram os dados de previsão climática à rotina operacional dos Centros, com emissão regular de boletins de previsão – de curto, médio e longo prazo – em apoio ao planejamento de ações estratégicas de preparação.

II Workshop El Niño
Seus Impactos no Sul do Brasil. Em parceria com a Associação Catarinense de Meteorologia (ACMET), o CIGERD, a Epagri/Ciram, a UFSC, o IFSC e instituições parceiras do Paraná e do Rio Grande do Sul, estão organizando o II Workshop El Niño, previsto para julho de 2026, em Florianópolis. O encontro dará continuidade ao trabalho iniciado na primeira edição, realizada em julho de 2023, que reuniu cerca de 70 participantes presenciais e mais de 160 online, e que foi fundamental para subsidiar a preparação do Estado frente ao El Niño 2023/24. O II Workshop terá como foco a atualização do consenso técnico-científico sobre o fenômeno, a discussão de estratégias de comunicação de risco e a definição de recomendações operacionais para os três estados do Sul.

Subsídio à Operação Primavera 2026
As conclusões e recomendações do II Workshop serão diretamente incorporadas ao planejamento da Operação Primavera 2026, que mobilizará o Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil (SIEPDEC) nos 295 municípios catarinenses. A operação prevê, entre 1º de junho e 21 de setembro, ações preventivas estruturais e não estruturais – como capacitações, limpeza de rios e sistemas de drenagem, manejo de árvores e instalação de kits ponte – com foco nas áreas classificadas com risco médio, alto e muito alto para alagamentos, inundações e movimentos de massa. A partir de 22 de setembro, início oficial da primavera no Hemisfério Sul, o SIEPDEC entrará em regime de operação conjunta sob coordenação da SDC, com apoio do Grupo de Ações Coordenadas (GRAC) estadual e regional.

Ações Epagri relacionadas à agricultura
A Epagri/Ciram e Epagri/Cepa organizam informações sobre o El Niño com possíveis impactos e recomendações direcionadas ao setor agropecuário, devido à condição de chuva extrema que deve afetar culturas de inverno e verão nas safras de 2026/2027. O material informativo produzido em conjunto sobre o fenômeno e a agricultura será divulgado em sites oficiais da Epagri e Secretaria da Agricultura e Pecuária (Sape).

Articulação interinstitucional
A SDC mantém diálogo permanente com a Epagri/Ciram, a ACMET, universidades e demais centros operacionais nacionais e dos demais estados do Sul, garantindo integração de dados e unificação de linguagem técnica nos comunicados oficiais.

Comunicação qualificada à população
Seguindo recomendação consolidada no I Workshop, reforçamos a importância de a população acompanhar as informações divulgadas por órgãos oficiais, evitando alarmismo e desinformação. A Secretaria intensificará nos próximos meses a produção de materiais informativos sobre o fenômeno, em conjunto com a Epagri/Ciram.

Reitera-se a necessidade de acompanhar os boletins meteorológicos oficiais, dada a constante atualização das informações e previsões dos modelos atmosféricos.

A Cidasc seguirá acompanhando a evolução das condições climáticas e orienta os produtores a manterem contato com os escritórios locais para informações e recomendações específicas para cada região e atividade. 

Clique aqui para ler a íntegra da nota no site da Epagri/Ciram

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