
A Cidasc intensificou as ações de orientação e monitoramento para evitar a entrada do caruru-gigante (Amaranthus palmeri) em Santa Catarina. A planta daninha, originária da América do Norte, é considerada uma das mais agressivas do mundo e ainda não ocorre no Estado, mas já foi identificada em Mato Grosso desde 2017 e, mais recentemente, em Mato Grosso do Sul e São Paulo.

O caruru-gigante chama atenção pela velocidade de crescimento – pode chegar a até três centímetros por dia – e pela alta capacidade de infestação. Cada planta produz, em média, de 200 mil a 500 mil sementes, podendo ultrapassar 1 milhão. As sementes permanecem viáveis no solo por anos, o que dificulta o controle após a introdução da praga em uma área.


Outro fator de risco é a resistência do Amaranthus palmeri a herbicidas amplamente utilizados na agricultura, como glifosato e inibidores de ALS. Em lavouras de soja e milho resistentes ao glifosato, a planta encontra condições favoráveis para se estabelecer rapidamente, competindo por água, luz e nutrientes e causando prejuízos econômicos expressivos.
Identificação em campo exige atenção
Em situações de campo, o caruru-gigante pode ser confundido com outras espécies de caruru já presentes em Santa Catarina. Algumas características ajudam na identificação: folhas ovais, com pecíolo maior que a folha; possibilidade de mancha branca em formato de “V” invertido; inflorescência feminina com estruturas rígidas que lembram espinhos; porte mais ereto e inflorescências menos ramificadas. Um diferencial importante é que as plantas são masculinas ou femininas – não há flores dos dois sexos na mesma planta.
Prevenção começa no cuidado com o que entra na lavoura
A principal via de introdução da praga é o trânsito de máquinas agrícolas provenientes de áreas infestadas. Por isso, a Cidasc orienta que máquinas e implementos que atuaram em outros estados estejam limpos, sem restos vegetais ou solo aderido. O uso de sementes de origem conhecida e certificada, tanto para a lavoura quanto para a cobertura de solo, também é fundamental. Adubos orgânicos e resíduos de limpeza de grãos sem procedência devem ser evitados, pois podem conter sementes da planta daninha. O monitoramento constante das áreas é outra medida essencial para identificação precoce e controle imediato.
Em caso de suspeita da presença do caruru-gigante, agricultores e assistência técnica devem notificar imediatamente à Cidasc. A identificação precoce permite adotar medidas de controle e erradicação, evitando o estabelecimento e a dispersão da praga para outras lavouras.
Santa Catarina sai na frente com capacitação em Mato Grosso
Como parte da estratégia de prevenção, a Cidasc tem investido na capacitação das equipes técnicas. Em novembro de 2025, os engenheiros-agrônomos Diogo Antonio Deoti, Vinícius Morales Porto e Matheus Vieira Gallas realizaram uma visita técnica ao estado de Mato Grosso, onde a praga já ocorre.
Durante a missão técnica, os profissionais catarinenses conheceram de perto lavouras infestadas, acompanharam o programa de controle e erradicação desenvolvido pelo Instituto de Defesa Agropecuária do Mato Grosso (Indea-MT) e trocaram experiências com as equipes locais. A agenda incluiu visitas nas propriedades rurais, laboratórios de análise de sementes e sanidade vegetal, além do acompanhamento de ações de limpeza de máquinas agrícolas, uma das principais estratégias para evitar a disseminação da praga entre áreas produtivas.
A comitiva também participou, em Sapezal (MT), de um evento promovido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), onde foi apresentada uma tecnologia de inteligência artificial, desenvolvida pela Universidade de Brasília, capaz de identificar plantas daninhas em lavouras por meio de imagens aéreas captadas por drones. A ferramenta, de código aberto, foi calibrada para a identificação do Amaranthus palmeri e pode ser adaptada para outras culturas e pragas.
“A experiência em campo em áreas onde o caruru-gigante já está presente reforça a importância da prevenção em Santa Catarina. Quanto mais cedo identificarmos qualquer suspeita, maiores são as chances de evitar prejuízos à agricultura catarinense”, destaca a equipe técnica da Cidasc.
Monitoramento permanente
Além das ações de orientação ao produtor, a Cidasc mantém monitoramento constante das lavouras catarinenses e do trânsito de máquinas e equipamentos que entram e saem do Estado. Nos últimos anos, foram realizadas análises laboratoriais de plantas suspeitas e visitas técnicas a regiões com ocorrência da praga, fortalecendo a capacidade de identificação rápida em Santa Catarina.
A companhia reforça que a manutenção do Estado livre do caruru-gigante depende do engajamento de toda a cadeia produtiva. Prevenir a introdução da praga é proteger a produção agrícola, o meio ambiente e a sustentabilidade do setor no longo prazo.
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Alessandra Carvalho
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