Doenças e queda na produção é tudo o que um pecuarista não quer. Mas, muitas vezes, por falta de manejo adequado ou mesmo estratégias de produção, esta é a realidade de algumas propriedades. Estas são situações que acometem os bovinos de corte tipicamente no inverno, uma estação do ano propícia para a instalação de doenças, que, somadas com a pouca disponibilidade de forragens, contribuem para a queda de desempenho dos animais. “Devemos ter maior atenção com animais jovens, menores de dois anos, pois são mais suscetíveis a doenças, e com as matrizes, já que neste período elas não devem perder peso, uma vez que estão se preparando para a estação de monta subsequente”, alerta o médico veterinário Reuel Luiz Gonçalves.

Foto: Cristina Perito Cardoso

De acordo com o especialista, as principais doenças que acometem os bovinos de corte na estação mais fria do ano são doenças respiratórias bovinas (RDB), doenças de casco ou mesmo infestações parasitárias. “A principal enfermidade é a RDB, causada por vírus, bactérias ou ambos agentes. Outra enfermidade é a doença de cascos, causada por excesso de umidade ou problemas metabólicos devido a dietas utilizadas nesta época do ano. Além disso, o controle eficiente de verminoses é um dos maiores desafios no manejo sanitário, já que a criação extensiva de animais implica numa inevitável infestação parasitária”, conta.

Gongalvez explica que na RDB os sintomas da doença podem variar desde leves sinais clínicos até a morte. “A doença é frequentemente identificada por meio de depressão, perda de apetite, corrimento nasal e ocular, letargia, dificuldades respiratórias, febre ou qualquer combinação desses sintomas”, comenta. Ele acrescenta que animais com a temperatura retal igual ou acima de 39.7° C geralmente são considerados mórbidos e devem receber algum tipo de tratamento.

O profissional conta que outra grande preocupação dos criatórios de bovinos são os cascos, vitais para a locomoção dos animais. “Qualquer problema que possa acometer os cascos compromete de forma drástica a produção”, afirma. Ele conta que são muitas as causas que afetam os cascos, em especial a alimentação e o desgaste que ocorre principalmente em animais confinados. “Quando chega a época em que o barro é abundante há um amolecimento dos cascos dos animais criados de forma extensiva, o que favorece o desgaste. Estes fatores somados levam ao aparecimento de vários problemas que afetam diretamente os animais”, diz. Reuel conta que qualquer problema que o casco apresente compromete a locomoção, e, consequentemente, gera estresse ao animal, o que leva a diminuir a ingestão de alimentos e perda de peso, além do comprometimento da capacidade reprodutiva. “O principal sinal clínico é a claudicação, que inicialmente pode ser branda e, nos casos graves, os animais chegam a se ajoelhar para pastar ou adotam decúbito permanente”, expõe.

Já nos casos de verminoses, os animais tornam-se tristes e abatidos, com pelos secos e eriçados, abdômen aumentado (barrigudo), alimentam-se muito pouco, têm emagrecimento progressivo durante muito tempo, desenvolvimento retardado, comem objetos como terra e madeira, e podem apresentar diarreia, fezes escuras e, às vezes, com sangue, além de anemia acentuada, desidratação e morte.

Manejo

Não é segredo para o pecuarista que o correto manejo na propriedade evita, e muito, este tipo de doenças nos animais. De acordo com Gonçalves, a ação de uso de profilaxia com vacinas respiratórias e manejos que incluem uso de aspersores de água em confinamentos e de corta ventos, e de metafilaxia em lotes de risco minimiza o aparecimento da DRB no rebanho. Já para evitar doenças de cascos, o profissional aconselha a drenagem de áreas com acúmulo de barro e água, casqueamento preventivo e uso de metafilaxia. Para as verminoses é indicada a adoção de um controle estratégico de parasitas, através da utilização de vermífugos nos meses de maio, julho e novembro, o que evita que os animais sofram espoliações e, consequentemente, o aparecimento de verminoses no rebanho.

O médico veterinário destaca que a melhor opção para o produtor prevenir o surgimento da DRB no rebanho é a profilaxia através do uso de vacina respiratória conjugada, sendo a primeira dose em dois a quatro semanas antes da desmama e um reforço 21 a 30 dias após. “Depois, basta seguir com a vacinação anual em todo o rebanho, de preferência antes do inverno. Todo animal primo vacinado, mesmo adulto, deve receber dose e reforço”, alerta. Gonçalves ainda conta que a metafilaxia também pode ser utilizada juntamente com a profilaxia em animais que seguem para confinamentos. “Usar a metafilaxia contra os agentes infecciosas do sistema respiratório, em todos os animais de alto risco, reduz a incidência da DRB. Um protocolo correto de metafilaxia ajuda na prevenção, cura os animais que já apresentam a doença, de forma clínica ou subclínica, e melhora o desempenho do lote”, afirma.

Para a doença dos cascos a melhor forma de controle é por meio da prevenção, que, nestes casos, pode ser realizada com o casqueamento preventivo, pedilúvio, entre outras medidas, como o uso de metafilaxia em lotes de animais com probabilidade de afecções de casco, devido aos fatores já citados, declara o profissional. E para as verminoses, o médico veterinário recomenda o controle estratégico de parasitas internos com anti-helmínticos. “A recomendação é uma dose pré-inverno, em maio, e outra dose durante o inverno, em julho, principalmente em animais jovens, com menos de dois anos de vida. Animais adultos também devem ser desverminados para evitar a contaminação de pastagens, diminuir a espoliação e a contaminação dos bezerros”, diz. Gonçalves recomenda o uso de uma doramectina em maio, por ser um endoctocida e promover o controle tanto de parasitas internos como externos, e do fosfato de levamisol em julho, pois, além de ser antiparasitário interno é um imuno modulador que promove estímulo ao sistema imunológico.

Além de dor de cabeça, este tipo de problema na propriedade causa ainda prejuízos para o produtor. O maior deles, segundo Gonçalves, está relacionado às doenças subclínicas que ocasionam. “Um animal com DRB, verminose ou problema de casco apresenta queda de desempenho, menor ingestão de aproveitamento dos alimentos, diminuição do ganho de peso, queda no sistema imune e consequentemente prejuízos ao produtor”, alerta. O profissional ainda acrescenta que em casos graves ocorre ainda o atraso de crescimento, perda de peso, desidratação e óbito.

Inverno exige mais cuidados

Gonçalves alerta ainda que no inverno, muitas vezes, não se lembra que os animais também sofrem com o frio e a umidade, precisando de cuidados especiais. “Nesse período eles desenvolvem mais facilmente problemas respiratórios e nutricionais”, diz. De acordo com ele, de modo geral em todos os animais de sangue quente, o fio interfere no funcionamento do organismo, os tornando mais suscetíveis a doenças respiratórias causadas por vírus e/ou bactérias. “Cabe ao proprietário e ao veterinário que assiste a propriedade organizar o manejo nutricional e sanitário para prevenir e mitigar os problemas que podem ocorrer nesta época do ano”, afirma.

Entre os cuidados básicos para os bovinos de corte, o médico veterinário diz que no campo os produtores rurais precisam estar atentos para as intempéries do inverno, mantendo os animais saudáveis e bem alimentados para uma boa produtividade. “Para bovinos de corte, tanto jovens como adultos, os cuidados básicos são os mesmos. Assim como nos humanos, nos animais, os problemas respiratórios aumentam no período de inverno, por isso deve-se evitar choque térmico, excesso de umidade, poeira e lugares abafados”, aconselha. Já para animais confinados, de acordo com Gonçalves, o risco aumenta em relação a animais a campo, isso porque apresentam maior estresse de adaptação, disputa por cocho e de hierarquia, sodomia, maior contato e difusão de patógenos, excesso de umidade ou de poeira.

Fonte: O Presente Rural.

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